Gestão Financeira para Igrejas – Parte 3

Gestão Financeira de Igreja Evangélica

É muito comum as pessoas acreditarem que sabem o que é gestão financeira, porém, na hora de pôr em prática o seu conhecimento para administrar uma empresa ou instituição acabam cometendo erros básicos, que ao final, trazem muitos problemas.

No artigo anterior desta série que você pode acessar trabalhamos com o conceito de planejamento e controle e as particularidades de cada um, bem como também detalhamos a classificação que pode haver na gestão financeira da igreja, os grupos de contas ativo e passivo que representam o patrimônio da instituição e receitas e despesas que são a movimentação financeira propriamente.

Para que possamos conhecer com efetividade os dados financeiros da nossa instituição precisamos de uma ferramenta de controle, isso tem que ser feito de forma sistemática, cada centavo que entra deve ser controlado, cada centavo que sai deve ter seu registro de forma a identificar, onde foi gasto, quem autorizou, quem recebeu e sua correta classificação.

Nós sempre enfatizamos que igreja não é empresa, a igreja não visa lucro, entretanto, ela tem o seu viés financeiro, ela precisa de recursos para sobreviver, erroneamente muita gente acha que a igreja não tem custos e é “isenta” de impostos e outras obrigações de cunho tributário, ledo engano.

A igreja, como qualquer empresa, precisa de um local para desenvolver as suas atividades, ou ela compra um prédio e faz adaptações; ou ainda, tendo recursos, pode construir, já de acordo com suas necessidades; ou, em último caso, pode alugar um espaço, adaptando-o para que possa funcionar como igreja. Tudo isso exige investimentos e custos de manutenção.

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Nos templos não existe subsídio para contas de água, luz ou telefone, no máximo alguns estados concedem isenção para ICMS e é só, como as igrejas têm imunidade sobre os impostos, tendo um processo bem montado, os municípios deixam de cobrar o IPTU, mas cobram as taxas.

Para existirem as igrejas, tem os seus custos, as suas despesas e obviamente que as suas receitas para poder funcionar e cumprir as suas finalidades estatutárias. É no entendimento desta premissa que entra uma importante ferramenta para você ter o controle da sua igreja, a gestão financeira.

Gerir não é anotar, nem registrar, é muito mais que pagar contas e receber dízimos, gestão financeira envolve conhecimento da instituição, saber como ela funciona, planejamento, estatística, controle e visão de futuro.

Engana-se quem acha que precisa ser um mago ou um gênio para cuidar de tudo disso, é preciso estar preparado. É bom que o pastor, gestor ou administrador saibam que gerir bem não é nada mirabolante, não exige esforços monumentais de uma equipe gigante, nada disso, a receita é disciplina e organização.

A correta gestão financeira oferece ao administrador uma visão real sobre o movimento financeiro, contábil e patrimonial da igreja e deverá servir de parâmetro para que se tome decisões acertadas, ajudando ainda evitar que se comprometa o seu funcionamento pela falta de recursos.

Então, de forma resumida, gestão financeira são ações e procedimentos administrativos que tem relação íntima com planejamento, registro, execução e controle das rotinas financeiras da sua igreja que tem a finalidade de maximizar os seus resultados, fazer mais com menos.

Nesta série de artigos sobre gestão financeira para igrejas vamos tratar de situações pertinentes a esse assunto e cada vez mais vamos nos aprofundar nestas questões, sempre elegendo um tema e procurando dar enfoque as diversas nuances que ele possa apresentar.

Decisão

Decisão

Uma das ações mais importantes para se iniciar uma boa gestão financeira não requer nenhum investimento, não se trata de uma tarefa árdua e não é algo desafiador. O primeiro e mais importante passo para inserir sua igreja na gestão financeira chama-se DECISÃO.

Tomar uma decisão firme, com propósito de seriedade e a meta de não voltar atrás, não “afrouxar a corda” é o primeiro passo e é aquele capaz de fazer tudo mais acontecer, a partir daqui são pequenas atitudes, cada vez mais integradas é que vão te ajudar na gestão financeira.

Agora, o próximo passo tem a ver mais com atitude, fazer algo de concreto, é importante compreender que agora vamos dividir as demais tarefas em pequenas outras que podem ser vistas como módulos ou partes da gestão financeira.

Essa divisão tem dois propósitos, o primeiro deles é para você não se perder no meio de tanta informação, o segundo é para que você tenha completo domínio de uma rotina e só depois partir para a próxima, até mesmo essas rotinas menores vão ser divididas e explicadas em outras menores, exatamente para você não se perder e não desanimar no meio do caminho.

Gestão Diária do Caixa

Gestão do Caixa

Esse é um dos principais instrumentos de gestão de uma empresa, instituição e claro também da nossa igreja, é importantíssimo entender que aqui quando falamos caixa é TUDO, toda a movimentação que envolva valores tem que ser registrada, esse é o grande segredo.

Mas como dissemos mais acima, vamos devagar, aos poucos, então primeiro vamos falar sobre as entradas que ocorrem na igreja, os dízimos e ofertas, receitas de campanhas, receitas de serviços eclesiásticos e rendas eventuais.

Um dos grandes problemas de quem trabalha com financeiro é o “depois”, depois eu anoto, depois eu registro, depois eu confiro, já que você tomou a decisão, é hora de deixar de “empurrar com a barriga”, se organize, faça uma rotina estabeleça um dia e horário para receber dízimos e ofertas e ANOTE TUDO no ato do acontecimento.

Em relação ao controle de dízimos e ofertas, o ideal é que o controle seja nominal, assim você pode saber quem devolveu o dízimo regularmente, mas é sabido que tem igrejas que preferem não proceder dessa forma, lançam as entradas em lote, no total, também não tem problema, não existe uma regra específica quanto a isso.

Em qualquer dos casos, se você usa o gazofilácio ótimo, se você recebe cada um individualmente é bom que você tenha um local reservado para fazê-lo, o importante é não deixar para depois a anotação do registro, de quem recebeu, a data que recebeu, o quanto recebeu e a natureza, dízimo ou oferta.

Quando trabalhamos com números e especialmente quando se refere a dinheiro, o melhor é sempre pecar pelo excesso de zelo, os lançamentos estando em dia, facilita a análise de dados e tomadas de decisão e ainda minimiza os riscos e falhas, evitando os famosos furos de caixa.

Quando você utilizar o gazofilácio e os dizimistas entregarem envelopes nominais, citando a natureza, dízimo ou oferta, e o mês de referência é mais fácil fazer os lançamentos, quando abrir o gazofilácio, você registra envelope por envelope com os dados de cada um.

Agora, quando optar por NÃO fazer o controle nominal, as pessoas apenas depositam o dinheiro, a dica é que você monte uma comissão de contagem de dízimos e ofertas, quando abrir o gazofilácio, conte o dinheiro, faça um documento, ele vai conferir validade jurídica ao seu registro, colha a assinatura do pessoal da comissão e faça IMEDIATAMENTE o registro da entrada no seu caixa.

Quanto as demais receitas, campanhas, serviços eclesiásticos e receitas eventuais, a recomendação é a mesma, assim que receber faça o lançamento, registrando a data, quem pagou, a que se refere a entrada e o respectivo valor.

No próximo artigo, vamos mostrar uma forma de você estruturas as receitas, criando grupos de receitas, vamos dar uma noção de receitas operacionais e não operacionais e depois naturalmente vamos partir para falar de despesas.

É claro que é possível utilizar planilhas para fazer isso, neste caso, você precisa ter um conhecimento avançado sobre planilhas e ainda partir do zero, o problema é que elas podem facilmente perder os dados, além de ser difícil a integração com outras entradas.

Neste caso o ideal é que você tenha um sistema integrado, onde você já tenha os membros cadastrados, possa imprimir a ficha cadastral dos membros, se for o caso, ter a ficha de dizimistas e fazer os lançamentos de forma integrada e ter relatórios consistentes, sem ter que ficar criando fórmulas mirabolantes.